15.3.07

Insônia

Ela diz que é engraçado o que se pode lembrar às 4 da manhã. E ao ler sobre os barulhos da noite, eu também lembro dos medos que sinto ao acordar de madrugada.

Os estralos da grama são gotas ou passos? E aquela sombra na parede? Será que todo mundo tá bem?

Mesmo depois do fim do pesadelo, o coração ainda bate rápido. No estômago, uma sensação estranha de vazio e cheio ao mesmo tempo. Tento focar as idéias como se o cérebro fosse um retroprojetor, para que as transparências fiquem nítidas na tela. Passou muito tempo ou só alguns minutos?

Se dou sorte de dormir de novo, recebo a manhã com alívio. A noite levou os barulhos, os medos, os sobressaltos. A noite realmente é um mundo à parte, onde nem sempre as coisas estão como devem estar.

Ainda bem que os monstros não são visíveis à luz do dia.

14.3.07

Os Diogo Mainardis piorados

Não consigo entender como algumas pessoas acham que podem falar o que querem, sem medo das conseqüências. E olha que eu vivo rodando a baiana por aí, 99% das vezes com razão.

Mesmo assim, depois que a raiva passa, dá um frio na barriga, medo de ter sido injusta, desequilibrada, preconceituosa.

Um medo que esse cara aqui não teve, ao falar mal das produções publicitárias de Santa Catarina. Nem esse outro, ao criticar (sem consistência e sem propor uma solução concreta) as agências below-the-line.

Talvez algumas pessoas se achem Paulo Francis – que podia falar mal do que quisesse, mas tinha talento, personalidade e atitude suficiente para isso.

9.2.07

Tragédia: um conceito que sempre se renova

Oito dias depois do post abaixo, a mídia dá mais uma notícia: assaltantes roubam um carro, o menino fica preso pelo cinto de segurança, só que para fora do veículo. A criança tem 6 anos e é arrastada por vários quilômetros.

Existiam torturas parecidas nas eras mais tenebrosas da humanidade.

Não tem jeito. Tem que ser paranóico mesmo.

6.2.07

Segura ficava sua vó

Essa minha professora de yoga, sempre me fazendo refletir.

Hoje ela me sai com uma dessas: a mídia carrega a mão na divulgação das tragédias porque acaba lucrando com isso. Afinal, se as pessoas têm medo, ficam mais em casa, assistem mais TV, compram mais para aliviar a ansiedade. E essa é justamente a lógica da sociedade de consumo.

Até que faz sentido, né? Não que o mundo esteja livre de perigos e tragédias. Mas será que, às vezes, esse clima de apocalipse não é um pouco exagerado? Pense: se as pessoas têm medo da violência ou se estão ansiosas, elas:

- vão ao shopping ao invés de fazer compras nas ruas. E o shopping é um anunciante muito melhor do que as lojas isoladas;
- pagam caro para ir ao cinema no shopping ao invés de passear ao ar livre, que é de graça;
- fazem cursos de gastronomia e sommelier muito mais para ter um certo estilo do que para provar os prazeres da mesa. Afinal, existem comidas deliciosas tanto no cardápio do dia-a-dia quanto nas receitas mais sofisticadas;
- fazem compras no supermercado, que anuncia na TV, ao invés de irem à feira, que só conta com o boca-a-boca;
- gastam com carros super equipados de dispositivos de segurança, ao invés de terem um automóvel mais simples e que não chame tanto a atenção.

Enfim, não achei nada absurdo o que ela disse.

10.1.07

Jogar para não se arrepender

Hoje à noite tem mais um sorteio da megasena. 50 milhões de reais é o prêmio. Nunca tive o hábito de jogar, até entrar aqui na agência. Já é o terceiro bolão que o pessoal faz desde que cheguei.

No primeiro, não participei. Quando saiu o resultado é que caiu a ficha. Senti calafrios, um vazio na boca do estômago, aquela sensação que a gente tem quando percebe que fez uma grande merda. Já pensou se o povo ganha?

O dinheiro é uma grande motivação, sem dúvida. Mas ganhar tanto dinheiro assim parece algo tão distante, que tira um pouco do incentivo. Descobri que o que me faz jogar nesses bolões é o medo. Medo de todo mundo ganhar e não vir trabalhar no dia seguinte. E aí só eu, que não joguei, terei que vir.

Adoro meu emprego. Mas não iria suportar todo mundo comemorando, e só eu me arrependendo amargamente por ter perdido a oportunidade. 5 reais de vez em quando é um preço razoável pela garantia de não ficar de fora.

4.1.07

Relacionamento: torça para entrar, reze para sair

Primeiro, foi o cara que sequestrou o ônibus onde estava a ex-mulher. Quase torceu o pescoço da coitada, além de assustar os outros passageiros, que não tinham nada a ver com isso.

Depois (ou será que foi antes?), teve aquele que manteve a mulher e a amante presas. Ele e a mulher morreram.

Agora, um presidiário aproveita o indulto de final de ano para fazer a ex-mulher de refém. Pelo menos essa teve um final mais feliz: fugiu enquanto o cara cochilava.

Relacionamento parece estar virando algo muito perigoso. Se a mulher escolhe o homem errado, talvez nunca mais consiga se livrar dele. Se esse homem achar que a mulher cometeu alguma injustiça contra ele, a justiça será feita com as próprias mãos, os punhos, as armas.

Detalhe: no primeiro e no terceiro caso, os casais estavam SEPARADOS. No segundo, ele tinha uma amante, o que tira totalmente a moral do indivíduo.

Cara, quando a mulher não é mais sua, deixa ela em paz e vai se tratar.

21.12.06

Se você passar por aqui nesses dias...



... receba os votos de um Natal muito fofo e aconchegante, e um Ano Novo mais do que vibrante.

14.12.06

Medo do povo

Ontem foi mais um dia de apresentação do espetáculo de Natal do HSBC, no calçadão da rua XV. Estava previsto para as 21 horas, mas antes das 20 horas já tinha gente chegando. Nesse momento, as lojas da quadra do Palácio Avenida, que nesta época costumam ficar abertas até às nove da noite, começaram a fechar as portas.

Vou até o Lucca Café da rua Ébano Pereira, quase esquina com a XV, para fazer um lanche. Pretendo ficar ali até o término da apresentação, esperando pelas pessoas que estão comigo e que vão assisti-la. Já vi esse ano, estou cansada, não quero ver de novo.

Uma faixa na entrada do café anuncia que os pratos de almoço podem ser pedidos a qualquer hora do dia, das 8h às 21h. “Oba”, pensei. Se a cozinha fica aberta até às nove, talvez o café só feche mais tarde. O ambiente é legal, posso ficar sossegada, lendo uma revista e tomando um espresso, enquanto aguardo o fim do espetáculo.

Peço um queijo quente delicioso. Devoro, estou com fome, peço um segundo. “Não é possível, senhora, a cozinha já está fechada”, diz o garçom. Olho para o relógio, ainda não são 20h30. “Como assim? A faixa diz que vocês servem almoço até às 21h, a cozinha não pode ter fechado”. Recebo uma desculpa esfarrapada do rapaz e ele se retira.

À medida em que aumenta o número de pessoas lá fora, chegando para prestigiar um dos mais famosos eventos de Natal do Brasil, o Lucca Café vai descendo suas portas. Minha mesa e mais umas cinco outras começam a sentir aquela pressão para ir embora. Pretendo ser a última a sair, só de raiva. Enfim, já perto das 21h, não agüento o mal-estar e saio indignada.

De acordo com a faixa exposta lá fora, ainda poderia pedir um flié mignon, se quisesse. Claro, desde que não seja uma noite em que o povo está na rua. Parece que o Lucca Café tem medo do povo. Prefere fechar suas portas e frustrar seus clientes do que se preparar adequadamente e aproveitar o grande fluxo de pessoas que circula por ali.

Um receio que as lojas vizinhas ao café, Aliança Móveis e a Lojas Americanas, não têm. Talvez porque elas estejam acostumadas a lidar com o povo, coisa que o Lucca Café parece não saber. Elas aceitam o cliente e seu dinheiro, não importa se a classe é A, B, C, D ou E, se vêm do terminal da Praça Rui Barbosa ou do estacionamento em frente.

Pois bem, nessa noite, quem me recebeu bem foi a Lojas Americanas. Das 21h às 22h eu passeei pela loja, aproveitei a promoção de CDs, conferi as novidades em cosméticos e comprei álbuns de fotos que estava procurando faz tempo.

Deixei algum dinheiro lá dentro, algo que o Lucca Café da rua Ébano Pereira não vai ver tão cedo.

30.11.06

Ain't there one damn song that can make me break down and cry?

Se não for a música que eu mais gosto nessa vida, está entre as top ten. E David Bowie cantou ela na TV no ano em que eu nasci. Destaque para a voz rouca, os solos de sax e o backing vocal.

27.11.06

Magérrima

Ana Carolina Reston, aquela modelo de 21 anos que morreu de anorexia, conseguiu postumamente o que desejava enquanto estava viva: fama. Mereceu uma reportagem de capa da revista Caras desta semana.

Lembrei de um cartaz antigo de uma campanha contra o cigarro. Um esqueleto está fumando, com o pé sobre um caixão. O texto do cartaz é algo assim: “Nossa, como você emagreceu!”.

Talvez a referência tenha vindo à cabeça porque, de certa forma, havia razão na obsessão de Ana Carolina. Ela realmente só conseguiu se destacar como modelo depois de emagrecer o suficiente – o suficiente para morrer.

E agora que ela está bem magrinha, só pele e osso e daqui a pouco nem isso mais, as revistas passaram a colocá-la em seus editoriais. E as pessoas vão comprar essas revistas. E a diferença entre nós e um bando de urubus vai ficando cada vez menor.

25.11.06

Rock brasileiro

De Nora Ney a Wander Wildner, da Rua Augusta ao Rio Guaíba, um intensivão sobre a história do rock no Brasil.

23.11.06

ATB

Sim, sou da RMG, parte da JWT, que pertence ao WPP. Atendemos HSBC, com trabalhos B2B e B2C.

Apesar de tudo, me considero uma mulher por extenso.

Para mulheres que gostam de coisas grandes




Olha que legal!

Essa eu vi no http://www.updateordie.com (e lá tem o link para o lugar de origem). Finalmente alguém pensou nas mulheres de bolsas grandes.

O lado mais alto do encosto impede que a bolsa encoste no chão. O vão no assento impede que os garçons fiquem jogando sua bolsa de um lado para o outro.

17.11.06

Tchau

Ela era uma daquelas mulheres ativas, inteligentes, seguras de si. Nem por isso deixava de ser muito charmosa e feminina.

Tem duas coisas que eu lembro bem dela: uma é que ela dizia ter amamentado a filha durante dois anos, a outra é a viagem que fizemos a Guaraqueçaba. Ela estava com a filha em um Palio e eu com minha amiga em um Uno Mille. A estrada de terra não intimidou-a nem um pouco. Pisou fundo no acelerador e manteve um bom ritmo até lá. Só acelerei para não ficar atrás. Ela era muito mais corajosa do que eu.

As duas coisas parecem não ter nada a ver, mas para mim exemplificam as duas facetas da sua personalidade. O lado mãe e o lado destemido, aventureiro.

Ontem ela se foi. Fazia anos que eu não a via. É uma pena que a gente perca o contato com as pessoas. É uma pena que eu não tenha tentado falar com você, mesmo sabendo que você estava doente. Fique em paz e reze por nós.

13.11.06

As cinco melhores coisas que podem acontecer a um redator

1) Texto elogiado pelo diretor de criação
2) Texto aprovado integralmente pelo cliente
3) Texto que vira bordão popular
4) Texto que a revisora não encontra defeito
5) Ganhar prêmio por anúncio all type

15.10.06

Criatividade "requentada"

Tem se falado muito em "crise da publicidade" ou "crise da criação publicitária". Acho que essa crise tem a ver com os novos meios, com a nova maneira pela qual os consumidores se relacionam com as marcas e com as mídias. Mas também parece ser uma crise de conteúdos, de idéias.

Tudo bem, a gente sabe que nem sempre o cliente ajuda. Às vezes a agência tenta, mas o anunciante faz do jeitinho dele. E aí acontecem umas "coincidências", umas "referências" explícitas demais.

Esses dias tinha um outdoor de uma concessionária Citröen com a chamada "Quem compara compra Citröen". A idéia, segundo o dono da agência que veiculou esta peça, era mostrar a relação custo-benefício do carro. Só que essa chamada é idêntica a um slogan da Consul, utilizado na segunda metade da década de 1990, talvez em 1996 ou 1997: "quem compara compra Consul".

Abordar a relação custo-benefício é informação de briefing, é USP (unique selling proposition). Agora, o COMO abordar esse aspecto, é da alçada da criação publicitária. A chamada, portanto, por mais banal que seja, por mais que pareça apenas "um argumento de venda", tem recursos de criação. Utilizá-la novamente é uma falta de, digamos, trabalho de criação (para não dizer outras coisas).

A Gazeta do Povo também faz dessas. A estratégia deles é mais sutil, mas a gente nota de onde vêm as "idéias" presentes na comunicação do jornal.

A Folha de S. Paulo tem um ratinho como mascote de seu serviço de classificados. A Gazeta lançou um coelhinho para o mesmo "cargo", bem parecido com o roedor paulistano, por sinal. Agora, o jornal curitibano está usando um casal nos comerciais de assinatura - estratégia parecida com a campanha Paulo e Bia, do Estadão, vencedora de vários prêmios de marketing direto.

A diferença é que, na campanha do Estadão, as pessoas podiam votar em quem vendia melhor: o Paulo ou a Bia? Na campanha da Gazeta não existe essa interatividade.

Porém, é preciso reconhecer que, apesar de a idéia não ser original, os atores estão ótimos.

8.10.06

Entre a cruz e a caldeirinha

Eu votei no Alckmin. Não foi uma escolha de coração, muito convicta, mas era meu preferido entre as opções. Entre ele e o Lula, o governador de São Paulo me pareceu o melhor. Tenho a percepção de ser um cara sério, preparado. Mas depois que ele fechou um apoio com o casal Garotinho, começo a questionar minha opção.

E então, o que fazer no segundo turno?

De um lado, um presidente que não toma uma atitude exemplar em relação ao que tem a ver com ele nesses escândalos todos. De outro, um candidato que se torna arrogante depois que vence o segundo turno e recebe apoio de gente reconhecidamente corrupta e desclassificada. Fica difícil, né?

O que mais me dá pena é que, se o Lula não ganhar, vai ficar no ar a idéia de que nenhum candidato popular, fora dos círculos tradicionais do poder, tem condições técnicas ou morais de governar o Brasil. E isso não é bom.

Lastimável. Espero que algo aconteça nessa segunda fase da campanha para facilitar minha escolha.

20.9.06

A outra

Um dos maiores erros que as mulheres cometem é ficar com homens que não querem nada sério com elas e, mesmo assim, alimentar a esperança de que um dia eles possam mudar de idéia.

Já entrei nessa roubada algumas vezes. Comigo eles nunca mudaram de idéia. Talvez outras mulheres tenham tido mais sorte.

Graças a Deus, passei dessa fase. Estou abstêmia desse tipo de equívoco a alguns anos*. Mas, de repente, me pego sentindo a mesma coisa. Uma sensação de estar deslocada, um gosto amargo na boca, um sem-jeito de encarar as pessoas. E não é por causa de homem.

Dou para mim mesma o conselho que ouvi algumas vezes e repeti outras tantas: quer encarar um esquema sem compromisso? Então aproveite do jeito que as coisas são, não tente mudar. E na hora de se retirar, saia de cabeça erguida, com a atitude madura de quem encara as situações como experiência e vive o momento presente, e não as expectativas do futuro.

Pena que a gente não dá bola para os conselhos...

* A frase correta é "Estou abstêmia desse tipo de equívoco FAZ alguns anos", conforme a Helena e Anonymous fizeram a gentileza de observar.

16.8.06

Compare antes de votar

No site http://perfil.transparencia.org.br, preparado pela ONG Transparência Brasil, você dá para conferir a ficha corrida de "suas excelências", os candidatos à Câmara dos Deputados nas próximas eleições.

Como sugeriu um colega aqui do trabalho, bem que poderia ter aquele mecanismo de comparação, como nos sites de vendas pela internet...

22.7.06

No Rio

Viajar de carro de Curitiba para o Rio é muito bom. 12 horas até chegar aqui. Mas a estrada é boa, a comida das paradas também. Em São Paulo, uma dica: ao invés de entrar na cidade, o melhor é pegar o Rodoanel Mario Covas. Depois, seguir pela Castelo Branco até a saída 24 (placas de São Paulo e Osasco). Sai na marginal do Tietê, evita a Francisco Morato.

Ah! Acabei de experimentar três cervejas "Devassa": loira, ruiva e escura. Fico com a do meio. Confira: www.devassa.com.br. E o lugar que serviu foi o Bibi. Crepes, saladas, sucos e lanchinhos - além de cervejas, em Copacabana, na Miguel Lemos (www.bibiemcasa.com.br).